Nós brasileiros temos visto pelos órgãos de imprensa e mídia homens que tinham em suas mãos o poder em nosso país, cujo povo havia delegado, envolvidos em suspeitas, investigações, processos, condenações e prisões relacionadas com o amor ao dinheiro.

 

Surpreendentemente o ex Deputado Estadual, Senador e Governador do Rio de Janeiro, Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, no dia 21 de fevereiro deste ano em interrogatório ao Juiz Criminal da Justiça Federal Marcelo da Costa Bretas afirmou:

 

“Esse foi o meu erro de postura, de apego ao dinheiro, ao poder. Isso é um vício”

Revista VEJA [i]

 

Juntam-se a Cabral em escândalos envolvendo dinheiro mais quatro ex-governadores do Estado do Rio, que já foram presos, mais dois ex Presidentes da República Federativa do Brasil e tantos outros políticos e grandes empresários.

 

Homens que sabiam o que era o PODER, mas não sabiam o que era TEMER.

 

Poder e dinheiro estão solidamente ligados um ao outro, uma vez que o dinheiro proporciona poder e o poder por sua vez abre as portas para mais dinheiro. Tanto o corrupto quanto o corruptor visam em último plano o dinheiro que se torna sinônimo de poder.

 

A Bíblia alerta que o dinheiro apresenta perigo claro para o ser humano, não ele em si como meio para aquisição daquilo que é necessário, mas o amor a ele, ou seja, tratá-lo com carinho e ciúmes, como bem supremo, superior a tudo e a todos.

 

O perigo do amor ao dinheiro é advertência de Deus que não exclui qualquer tipo de pessoa, todas podem se tornar vítimas, até mesmo os cristãos.

 

Lembramos do Apóstolo Paulo escrevendo para o seu discípulo de ministério, o Pastor Timóteo, justamente em um período em que o foco estava sobre os “falsos mestres”.

 

Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

1Tm 6.9 e10 – ACF

 

Aqui é dito que o amor ao dinheiro é capaz de desviar alguém da fé, claro que o Apóstolo tem em mente o “corpo doutrinário cristão”, mas se é poderoso para isso, desviar seguidores do cristianismo de suas convicções, quanto mais poderoso é para desviar o ímpio de suas convicções pessoais e éticas mais profundas.

 

Não há na natureza humana algo que seja suficientemente resistente às tentações que envolvam poder e dinheiro.

 

A “espiral descendente” está claramente desenhada neste texto de 1 Timóteo. No início o forte desejo de se ter dinheiro; depois a reprovação ao cair prostrado diante da oportunidade oferecida como armadilha e a consequente submersão em perdição e ruína. Tudo porque o dinheiro é a raiz que alimenta tais desejos pecaminosos.

 

É compreensível que tais notícias gerem indignação na população e que seja dado início ao “lançamento de pedras”, linchamentos que ocorrem nas “rodinhas” de bate-papo, inclusive entre cristãos. Estes últimos deveriam invés de tripudiar sobre aquele que foi vencido pelo pecado estarem orando pelo arrependimento e salvação dessas almas.

 

Mas o que mais assusta é que tais pessoas em nada são diferentes dos demais seres humanos, em nada diferem de nós naquilo que concerne à sua natureza, portanto todos estão sujeitos às mesmas tentações, talvez não tenham oportunidades e acesso a valores tão altos, mas possuem os mesmos desejos e potencial aos mesmos vícios e sujeitos às mesmas desgraças.

 

Como já mencionei o texto de 1 Timóteo é um texto de um Apóstolo a um pastor de Igreja, de Paulo para Timóteo. Estamos falando de cristãos e não de ímpios. Todos temos de tomar cuidado com os mesmos males que temos assistido.

 

Como já disse acima nem todos nós receberemos propostas de obter indevidamente dinheiro ou vantagens de alto valor, mas o erro não se impõe pelo tamanho e sim pela atitude.

 

Quantos comerciantes que se identificam como cristãos, não emitem nota fiscal, sonegam impostos, a fim de conseguir um lucro maior?

 

Quantos motoristas cristãos infratores pagam pessoas que não dirigem, mas que tenham carteira de habilitação para que assumam suas infrações de trânsito, mentindo sobre seus próprios erros, negando suas falhas, “entregando seus pontos” para o pecado?

 

Quantos cristãos se apossam do material de seus locais de trabalho, pastores e oficiais da igreja se apossam dos equipamentos e dinheiro da comunidade como se fossem seus donos, quando na verdade nada mais são do que subtratores?

 

Quantas igrejas recebem “irmãos” de outros países, sejam cantores, palestrantes, missionários acompanhados de caros equipamentos eletrônicos que são deixados neste país sob o pretexto de “um melhor trabalho para Deus” quando na verdade o que está se praticando é a burla das leis fiscais, não pagando a devida tributação para importação?

 

Quantos pastores se servem de uma mesma balança com dois pesos e duas medidas para pesar as ações e disciplinas de membros de baixa renda em comparação com os membros de pomposos dízimos e ofertas?

 

A tentação do controle de quem dá o que e quanto através dos “benditos” envelopes de dízimos e ofertas?

 

Enfim, o amor ao dinheiro, o amor ao poder, não são exclusividades dos ímpios, mas é uma marca na humanidade.

 

Haveria solução? Sim, existe! O desapego material e o apego espiritual na verdade. Voltando ao texto de 1 Timóteo encontramos no vs. 6 que:

 

“… é grande ganho a piedade com contentamento.”

1Tm 6.6 – ACF

 

O real problema do amor ao dinheiro é a insatisfação com o que se é ou que se tem. O texto é claro em dizer que o real lucro é ter uma vida piedosa com contentamento.

 

Mas para se viver em piedade é necessário TEMER, TEMER A DEUS!

 

Uma vida piedosa exige temor, reverência, respeito, acatamento aos desígnios e mandamentos do Senhor Deus. É necessário compreender o homem pela ótica do Criador e não da criatura, saber qual o propósito de sua existência, qual seja, a glória de Deus e não do homem.

 

É estudar a Bíblia como os puritanos, não para se exaltar com o conhecimento acumulado que apenas incha conforme 1 Cor 8.1, mas estudá-la para conhecer a Deus com a preocupação de cada vez errar menos em relação a Ele e praticar o amor ao próximo, uma vez que isso é o que edifica.

 

Aprender a estar contente, ou ser contente, em toda e qualquer situação debaixo do temor a Deus, sabendo que Ele tudo controla e nada ocorre sem sua permissão ou ação, da mesma maneira que Paulo aprendeu conforme registrou em Fp 4.11-13.

 

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.

Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez;

tudo posso naquele que me fortalece.

Fp 4:11-13- ACF

 

Estar aos pés de Cristo, Deus Filho, e sob a Sua proteção e se pautar de forma íntegra por seus preceitos nos dará o real poder, …tudo posso naquele que me fortalece… Quem tem o seu poder em Jesus, tem o maior poder possível dado a um ser humano. Pois Cristo é a fonte do seu contentamento. Tudo poderá lhe ser tirado, mas nunca algo ou alguém poderá separá-Lo do Senhor (Rm 8.35).

 

Cantoca, Pastor

 

[i] https://veja.abril.com.br/politica/meu-apego-a-poder-e-dinheiro-e-um-vicio-diz-cabral/