Terça-feira 21/05/2019, 19h46min, cidade de Paracatu, Estado de Minas Gerais, Igreja Batista Shalom, Rudson Aragão Guimarães logo após ter matado sua ex-namorada próximo à igreja, arromba os portões do templo e dispara a arma de fogo que carrega, matando o pai do pastor que ministrava orações em favor do próprio atirador que seria dependente químico. Também uma senhora que participava da intercessão é morta à tiro.

Policiais militares chegam ao local e Rudson agarra outra mulher que estava na igreja, fazendo-a de refém. Os policiais dão ordem para que ele solte a mulher e largue a arma, mas Rudson dispara outro tiro agora contra a refém, que também é morta. Os policiais sem alternativa disparam contra o criminoso, o neutralizam e o levam para o pronto socorro da cidade.

Rudson era membro da igreja onde ocorreu a tragédia e estava sob disciplina, fazia parte da lista de amigos do facebook do pastor e postava mensagens e versículos bíblicos em sua página.

Mantinha um perfil de quem ostentava cordões de ouro, relógios e motos potentes. Fazia o tipo “rapaz da moda”, boné, roupas de marca e muitas selfies fazendo “caras e bocas”, semelhante a alguns jogadores de futebol famosos ou cantores de determinados gêneros musicais. Não muito longe de alguns adolescentes que temos em nossas igrejas.

Certamente você conhece alguns com esse perfil.

Neste caso, como em tantos outros, o que restou ao final da história não foi a ostentação e a falsa prosperidade, mas a cor vermelha, o cheiro da pólvora, a presença da morte, os registros policiais, as notas de funeral, as lágrimas, os quartos vazios.

A tragédia se repete, sabemos que não foi a primeira e bem provavelmente não será a última.

Os locais são variados, parques, escolas, lares e agora as antes respeitadas igrejas, mas a razão é sempre a mesma, o pecado!

Uma palavra se destaca em nossos dias “EMPODERAR”, tal expressão se refere ao ato que pessoas concedem a elas mesmas o poder para algo, elas se “empoderam”, se sentem “empoderadas”.

Uma pessoa “empoderada” acredita que pode fazer o que quer, não há limites para a sua satisfação pessoal.

É comum encontrar pessoas que tem dificuldades em compreender o uso do “poder” que possuem. Sim as pessoas possuem poder, aliás dentro da Teologia alguns teólogos classificam o “poder” ou “todo poder” como um dos atributos comunicáveis de Deus ao ser humano.

Portanto, o ser humano experimenta em alguma medida ser poderoso. Experimenta-se isso no caso do cuidado com algum animal doméstico. O animal somente passeará quando, aonde e se o seu dono quiser. O “todo poderoso” é o dono.

Mas a questão é que o ser humano não tem correto referencial quanto as fronteiras do seu poder e acredita que os limites estão demarcados por sua capacidade em fazer algo e não por aqueles que lhe delegaram o poder.

Explico, um motorista pode dirigir um veículo sem cinto de segurança. A falta do cinto não impedirá a partida do motor, e nem o acionamento dos pedais de embreagem e aceleração ou mesmo o engate das marchas. Dessa forma o motorista tem o poder de colocar o veículo em movimento.

Mas a lei, feita por quem é superior a ele, ou seja, a sociedade em que vive o proíbe de dirigir um automóvel sem o cinto de segurança e dessa forma ele não pode!

Então “poder” significa ser possível o outro “poder” significa que ele legitimamente possui autoridade.

A questão é que a sociedade tem sido instruída das mais diversas formas de que tudo o que é possível, ele pode, ou seja, lhe é permitido, mesmo que para isso ele elabore justificativas mirabolantes para seus atos.

O “possível” nem mesmo quando parece ser o justo se transforma em permitido, se porventura não for executado por quem não tem autoridade para fazê-lo. É preciso estar revestido de autoridade superior.

Quando a confusão se estabelece entre o possível e o permitido o relativo se torna imperativo e assim cada um faz o que quer. Se faz tudo o que está dentro da sua possibilidade sem se importar com o que é legítimo ou correto.

Mas faz por que? Para que? Para satisfazer o seu prazer pecaminoso!

Se alguém acredita que possui autoridade para fazer algo apenas porque consegue fazê-lo, estará prestes a mentir porque quer e consegue, a sonegar porque quer e consegue, a infringir as leis porque quer e consegue, a subtrair objetos de outras pessoas porque quer e consegue, a adulterar porque quer e consegue, a praticar o aborto porque quer e consegue, a matar porque quer e consegue, a cometer suicido porque quer e consegue.

Mas a realidade é que fazer o que se quer e consegue não significa que exista real poder para fazê-lo, pois todos os seus atos serão julgados.

Mesmo que a ação do agente seja a sua própria morte sob a ilusão de que ela lhe dará uma covarde fuga da condenação das leis humanas, a Bíblia afirma que existe um Tribunal Superior que está acima de qualquer tribunal humano e todos prestarão contas ao Juiz dos juízes.

Acreditar que o julgamento dos atos humanos está restrito a esfera terrena é tolice. Imaginar que as causas e efeitos são as próprias penas impostas é ilusão. Existe uma dimensão maior, existe eternidade da alma e a ela estão reservados apenas dois destinos, Céu e Inferno.

Céu é o lugar onde aqueles que se renderam aos pés do Senhor Jesus Cristo entregando a ele a condução do seu viver estarão para sempre após o encerramento da vida terrena, juntos de Deus. Já o outro local é o Inferno onde ocorrerá o eterno sofrimento daqueles que rejeitaram a salvação e o senhorio do Senhor Jesus.

O que definirá para onde irá cada um será um julgamento inadiável, cujo Juiz não se corrompe, não é tendencioso e nem tampouco levado pelos sentimentos, mas sim justo e reto. (Atos 17:31).

Ele julgará cada ato humano e o parâmetro será a Palavra de Deus e não as leis de homens. Não haverá recurso nem embargos. Será o Tribunal de sentença definitiva, não haverá recurso, apenas uma pena e uma aplicação sem qualquer tipo de concessão, indulto ou progressão. O cumprimento será diário e eterno.

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.

 

Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus,
e os que a ouvirem viverão.

 

Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;
E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.

 

Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.

 

E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.

 

João 5:24 -29 – ACF

Não se iluda, poder nem sempre é poder!

 

Pr. Cantoca. Escritor do Blog www.tornatepadrao.com.br