fbpx

Uma palavra aos Pregadores sobre os diferentes tipos de Pregadores

por | out 23, 2019 | Exposição, Pregação

Recentemente, assisti um vídeo com Alistair Begg, descrevendo alguns tipos de pregadores (péssimos pregadores):

O “Líder de torcida” (sempre em busca de aplausos). O “Mágico” (sempre tirando coisas do texto que não estão lá). O “Contador de Histórias” (muitas histórias, pouca pregação). O “Artista” (a Bíblia não é suficiente; Piadas, truques, músicas, “dança do pregador” são necessários). O “Sistematizador” (O texto é meramente um pano de fundo para pendurar uma palestra doutrinária). O “Psicólogo” (fornecem informações de ajuda que não são necessariamente da Bíblia). O Pregador “Transparente” (muita informação sobre as falhas ou vida pessoal).

Alguém pegou parte do que Begg disse e intercalou com clipes de alguns dos piores exemplos dos ditos “pregadores”. Foi trágico.

Mas os vídeos eram escolhas óbvias. É fácil apontar o dedo para as falhas daqueles que estão fora do nosso acampamento (às vezes, talvez fora do Evangelho), mas a pregação ruim pode encontrar um lugar mais próximo de casa.

Eu gostaria de pontuar alguns tipos de pregadores ou estilos de pregações em que podemos “cair”, e que erram o alvo de várias maneiras. São armadilhas fáceis de se cair (eu caí em algumas delas), e algumas são resultados de não demandar tempo o suficiente trabalhando no sermão (nos contentando com menos quando deveríamos buscar mais). Em outras ocasiões, é um resultado de uma visão errada da pregação.

O “Legalista Bíblico

Não é um legalista comum. Esse pregador, prega o Evangelho com clareza, mas quando se trata dos mandamentos das Escrituras, ele os separa do Evangelho. Pode ser uma exposição fiel da passagem, porém fora do contexto. A exposição leva a pessoa a saber o que fazer, mas sem saber a motivação para fazê-lo (simplesmente um senso de “preciso fazer melhor”). A velha pergunta do “será que eu teria ouvido algo diferente em uma mesquita ou sinagoga?” Se aplica aqui.

O “Agressor

Uma subcategoria do exemplo acima, entretanto pior. Agridem as pessoas com o “se esforçar” na vida cristã. É tudo lei e nenhum Evangelho. Pode até ser uma aplicação muito fiel, mas não está conectada e nem enraizada em Cristo (aparte, talvez, de um chamado arbitrário ao arrependimento e fé). Ao contrário, você é ameaçado ou castigado pela obediência, semana após semana. O pregador pode se sentir muito “justo” ao passo de que a congregação pode sentir-se adequadamente punida, mas tanta flagelação não produz graça e não penso ser tão eficaz para matar as ervas daninhas em nossos corações. Eu já ouvi desafios para orar mais, e até mesmo pregar o evangelho neste estilo. Nos sentimos culpados e mudamos por algum tempo, mas o coração que muda pela motivação da graça não está lá.

O “Construtor de Paredes

Ele mentalmente cria um “nós e eles” em sua pregação. Caracterizado por sempre falar da maldade por aí afora, nunca mostrando a maldade aqui, no coração. Ele treina as pessoas para serem combativas com o mundo, e desconfiado de tudo o que estão fazendo, enquanto ignora o inimigo interior. Essas pessoas estão sempre na defensiva, sempre irritadas com o mundo, sempre desconfiadas de outros cristãos. Esta pregação também atingi os alvos fáceis por aí, esquecendo que pode haver pessoas presentes que tenham problemas nestas áreas. Um muro é construído fazendo os membros da Igreja se sentirem seguros, ao passo que os de fora sentem-se indesejados. A pregação sempre é como uma janela aberta.

O “Professor

Caracterizado pela frase “Hoje eu quero te ensinar sobre a Bíblia”. Pregar é ensinar, mas mais do que isso. É uma proclamação, é viva, é direta. Este tipo de pregação leva você a entender o significado da passagem, mas não tem uma aplicação em sua vida. Certa vez, estava conversando com duas pessoas que incorrem neste tipo de pregação; muito conhecimento, mas pouca profundidade na vida cristã prática.

O “Narrador

Uma variação do item acima, mas não tão bem embalado. Frases familiares serão: “o versículo 14 significa isto…e no versículo 15 nós temos…” O pregador fez o dever de casa, mas se esqueceu de transformá-lo em um sermão.

O Pregador “Pegar ou Largar

Frequentemente nas principais denominações. Ele coloca o Evangelho (ou quaisquer outras aplicações) na mesa, mas não incentiva ou pressiona os ouvintes. Está ali se você quiser. Não mostra a urgência de aceitar ou a ofensa de ignorar o Evangelho. É seu trabalho apresentar o Evangelho com autoridade. Um pregador é um embaixador falando em nome do Rei, não um guru de “dicas úteis”.

O “Dissecador

O pregador é um brilhante “borrifador” do texto ou passagem. Todas as partes que compõe o texto foram cuidadosamente dissecadas, cada parte descrita e ordenadamente exposta como algo em um laboratório. Mas agora, o texto vivo permanece sem vida na mesa de dissecação. Falta vida e os batimentos cardíacos que tinha antes. Já não abraça, não ruge. Se o texto é um leão, então deveríamos ouvi-lo rugir. Se é uma rosa, então deveríamos sentir seu doce aroma.

Existem outras falhas das quais nós, pregadores, somos culpados: Ser chato, ser longo demais, simples demais, pesado demais, não pregar para as pessoas a nossa frente, usar estereótipos ou metáforas em nossa aplicação, superestimar o sermão, mostrar todas as nossas pesquisas, etc., etc.

Suspeito que cada um de nós, pregadores, tem um defeito particular em nossa pregação que é uma caricatura da pregação real. Nós precisamos saber qual é o defeito, reconhecer isto, e trabalhar duro para evitar estas armadilhas, para não começarmos a achar que o jeito errado como fazemos é o certo. Trabalhem duro em seus ofícios, meus irmãos.

E acima de tudo, precisamos orar para que o Espírito Santo tome e use nossos esforços, sempre imperfeitos, para a glória de Cristo. E se você está sentado no banco, ore muito por seu pastor.

Mark Loughridge

Mark pastoreia duas igrejas na República da Irlanda. Ele é casado e tem três filhas. Antes de entrar no ministério, estudou arquitetura. Ele gosta de nadar em mar aberto, desenhar e assistir rugby.

[ Este post, de autoria de Mark Loughridge, foi originalmente publicado pelo Blog Gentle Reformation. Traduzido por Bruno Philippe e republicado em português mediante autorização do Gentle Reformation. Original: https://gentlereformation.com/2019/08/31/a-word-to-preachers-on-different-types-of-preacher/]